Cartão de crédito: “Falta educação financeira para os endividados e não política de crédito, diz especialista

André Cavalcanti, professor da Universidade Católica de Brasília, comenta as novas regras para o uso do cartão de crédito e as mudanças do juro rotativo

O cartão de crédito é responsável por 77% do endividamento das famílias brasileiras, segundo a Confederação Nacional do Comércio. A taxa de juros do rotativo (pagamento mínimo da fatura) encerrou 2016 com 484,6% ao ano. O Governo Federal, com a proposta de amenizar ou reduzir a inadimplência, determinou, por meio do Banco Central, que a partir de agora, o crédito rotativo, ou seja, o pagamento mínimo só pode ser usado por até, no máximo, 30 dias. “Após esse período, o cliente precisa quitar todo o valor da fatura, caso contrário, já ficará inadimplente e não poderá mais continuar refinanciando a dívida com crédito rotativo”, esclarece o professor André Cavalcanti, diretor da Escola de Gestão e Negócios da Universidade Católica de Brasília.

O diretor afirma que o rotativo do cartão de crédito, normalmente, é usado por clientes que não conseguem liquidar a dívida total e ficam pagando apenas o mínimo ou parte da fatura. “Esse tipo de crédito tem tido a maior taxa de juros do mercado nos últimos anos”, afirmou Cavalcanti. Segundo ele, com a limitação do crédito rotativo, a tendência natural será a busca dos consumidores, junto às instituições financeiras, para o crédito pessoal, com finalidade de quitação da dívida. “Boa parte dos bancos ou instituições financeiras, provavelmente, farão CDC (Crédito Direto ao Consumidor), empréstimos pessoais, reduzir ou limitar o cartão de crédito para consumidores, fazendo a taxa de juros cair. É o que espera o Governo, mas não vejo isso como uma mudança financeira ampla”, pondera o especialista em Economia.

Segundo ele, essa medida não prevê redução de endividamento dos consumidores e esse modelo de financiamento não vai resolver a falta de educação financeira vivida por parte da população. “Em tese, para esse mercado, os juros tendem a cair um pouco, mas não muito. Se estão cobrando 16% do crédito rotativo, podem passar a cobrar 10% ou 9%, mas ainda assim as taxas continuarão abusivas e as pessoas continuarão endividadas”. E na busca da quitação da dívida a pesquisa é sempre a melhor saída. “Eu recomendo uma pesquisa e busca da melhor taxa de juro. E, a partir daí, usar o crédito pessoal para quitar esse débito”.

Dicas do especialista:

Qual a melhor medida para não se endividar com o cartão de crédito?

Quebre o seu cartão! Se você é uma pessoa endividada, que não se controla, que não consegue organizar seus gastos, suas finanças e deve o cartão de crédito, o melhor é que você não faça uso de nenhum tipo de crédito. Corte os seus limites. Deixe seus limites baixos, que sejam possíveis de serem pagos, sem interferir no seu orçamento, ou para alguma eventual emergência. Essa nova regra ou modelo de financiamento a ser proposto aos endividados pode resolver o seu problema momentaneamente, mas depois você vai voltar a se endividar. O que falta não é política de crédito para o uso adequado desse cartão, o que falta é uma educação financeira. A maioria das pessoas não tem educação financeira e por isso se endividam.

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