Como a tensão entre EUA e Irã afeta a economia brasileira?

Alta do petróleo é o fator mais preocupante

Nas redes sociais, na mídia, nas conversas, não se falam em outra coisa: a possível guerra entre EUA e Irã. O conflito começou quando um ataque aéreo por parte dos EUA matou o general Quassem Soleimani, um dos mais poderosos do Irã. O Brasil não está diretamente envolvido na tensão, mas assim como outros países, pode sofrer efeitos.

A alta do petróleo é um dos fatores que mais pode atingir o Brasil. Logo após o ataque, o presidente Jair Bolsonaro convocou uma reunião para tratar da possível alta, o objetivo é que valores maiores não cheguem às bombas, já que isso pode comprometer o controle da inflação. O preço do petróleo chegou a subir 3,1% no mercado internacional, atingindo o patamar de 71 dólares.

Economistas brasileiros faziam previsões positivas para 2020, afinal, a reforma da Previdência foi aprovada. Contudo, boa parte dos planos do ministro da Economia Paulo Guedes depende dos recursos aplicados por investidores internacionais. Além disso, até a última quarta-feira (8), a bolsa brasileira perdeu quase 2% do seu valor de mercado. Enquanto o dólar, que apresentava estabilidade, voltou a subir. 

Em geral, qualquer evolução para luta armada entre os dois países pode causar retração no mercado mundial. Afeta importações, exportações e o preço dos produtos. Tudo isso pode chegar aos cidadãos em pouco tempo. 

Relação econômica com o Irã

O Irã ainda é um mercado pequeno para o Brasil, contudo, bastante promissor. De acordo com o ministério da Economia, o Brasil exportou US$ 2,2 bilhões para o Irã entre janeiro e novembro de 2019. Isso representa 1,03% do total de exportações para o exterior. Em contrapartida, as importações foram de US$ 88,9 milhões, o que significa que o Brasil se beneficiou na relação com o país. Os produtos campeões de exportação para o país do Oriente Médio foram milho (44%) e soja (26%).

Vale lembrar que o Iraque é um parceiro do Irã e também recebe produtos brasileiros. De acordo com os dados, 0,29% das exportações do Brasil (US$ 595,9 milhões) foram para o Iraque. 

Uma boa relação com esses países pode significar uma expansão de produtos brasileiros em outros territórios da região. 

Posição cautelosa

Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, comprador de 26,9 bilhões de dólares em commodities e manufaturas. Quando o governo brasileiro se pronunciou sobre a morte do general, acabou, mesmo que de maneira sutil, se alinhando ao país norte-americano. Em uma nota oficial, o Itamaraty afirmou que a Guarda Revolucionária do Irã, à qual Soleimani pertencia, era uma organização terrorista.

Pela primeira vez o Brasil deixa a posição de neutralidade e essa ação pode fazer com que o Irã se posicione contra a nação brasileira. Especialistas consideram que o melhor a se fazer a partir de agora é não emitir apoios e opiniões para que um possível conflito armado não afete ainda mais a economia. 

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