Como o Brexit pode afetar a economia

Uma união de 47 anos chega ao fim após muitas divergências

O mundo inteiro acompanhou as idas e vindas dos conflitos entre União Europeia e Reino Unido. Depois de 47 anos, o dia 31 de janeiro de 2020 entrou para a história como o dia desta separação que ganhou o nome de Brexit. Foi a primeira vez que um país saiu do grupo desde a sua criação.

O fato é que ainda não se sabe como será daqui para frente, mas muitos países se preocupam com a mudança que afetará toda a economia global. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial que o território europeu não passava por tamanha instabilidade política. 

O acordo da União Europeia é a livre circulação de mercadorias e pessoas, nos 28 países-membros, sem barreiras, tarifas ou cotas comerciais. Sendo assim, a primeira grande mudança está diretamente ligada ao comércio, 45% de tudo que o Reino Unido exporta vai para UE. O escoamento dessa produção pode ficar prejudicado.

A saída para evitar uma crise nas exportações é estabelecer novos acordos comerciais, o que também pode ser um grande desafio. Além das nações participantes da UE, o país ainda tinha acordos especiais com outros 52 países exclusivamente por conta do bloco. Neste caso, o Reino Unido precisará negociar novas formas de estabelecer contratos com estas nações.

Economistas têm opiniões distintas sobre o futuro econômico do país britânico. Os mais negativos afirmam que o amanhã não reserva boas notícias, existem estimativas de que, a curto prazo, o PIB (Produto Interno Bruto) do Reino Unido diminua até 30%. 

A moeda é outra preocupação, a UE tem uma moeda única, o euro, que hoje é utilizada por 19 países. O Reino Unido nunca quis aderir e manteve sua moeda própria, a libra. Especialistas preveem que a libra pode cair até 20% a partir do Brexit. Moeda desvalorizada quer dizer inflação e, consequentemente, crises.

Já os especialistas que são a favor do Brexit apostam que se o país controlar sua política comercial, pode ficar ainda mais forte no mercado. Vale lembrar que o PIB do país cresceu consideravelmente depois que ele passou a integrar a UE, passando a ser o maior entre os países do G-7 (os mais ricos). 

Apesar do Reino Unido sofrer as maiores consequências da separação, a UE também sai perdendo, afinal, a nação britânica era a terceira maior economia do bloco.

Relação com o Brasil

É claro que se a economia mundial for afetada pelo Brexit, haverá respingos no Brasil. Apesar do Reino Unido não estar no ranking dos principais compradores de produtos brasileiros, é uma relação importante. Em 2019, foram US$ 2,96 trilhões exportados do Brasil para os portos britânicos. Ouro, soja, minério de ferro, café e frango estão na lista de produtos mais enviados.

Em contrapartida, o governo brasileiro se mostrou otimista em relação à separação. O ministro da economia Paulo Guedes esteve com o ministro britânico Sajid Javid, no Fórum Econômico Mundial e afirmou que os laços com os britânicos podem aumentar, além disso, o Brasil está na lista de países que vão selar novos acordos.

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