Entenda o que é endividamento de risco

Fenômeno tem causado preocupações entre organismos internacionais como a OCDE e o Banco Mundial

Quando um indivíduo ou uma família têm dívidas acima da sua capacidade de pagamento, e sua qualidade de vida é fortemente comprometida pelo prejuízo causado em seus recursos financeiros, podemos dizer que ocorre o chamado endividamento de risco.

Para definir essa classificação, o Banco Central criou quatro indicadores financeiros. Se você enquadra-se ao mesmo tempo em dois ou mais deles, isso quer que você se encontra em endividamento de risco:

  • Inadimplência por mais de 90 dias;
  • Comprometimento da renda acima de 50% para pagamento da dívida;
  • Renda abaixo da linha de pobreza (R$ 387,07 mensais) após o pagamento de dívidas;
  • Exposição a três modalidades de crédito (cheque especial, crédito pessoal não consignado e rotativo do cartão).

Endividamento de risco no Brasil e no mundo

Em 2019, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) emitiu uma alerta sobre os efeitos do endividamento em excesso e recomendou que os países ampliem as medidas de proteção para os consumidores que se encontram nesse tipo de dificuldade. Isso porque, além dos efeitos nocivos sobre a qualidade de vida das pessoas, o endividamento representa um risco para os sistemas financeiros dos países.

No Brasil, esse cenário torna-se ainda mais complexo, por conta dos níveis elevados de desemprego e desigualdade socioeconômica, que tornam o cidadão menos resistente a dificuldades econômicas e crises inesperadas, como é o caso da pandemia de covid-19. Segundo uma pesquisa deste ano do SPC Brasil, 40% da população adulta encontra-se inadimplente.

É possível reverter esse cenário?

Segundo o Banco Central, para mudar esse cenário, é necessário que o Estado invista em políticas públicas de prevenção e resolução do problema. Pelo ponto de vista da prevenção, é interessante que sejam realizadas ações de educação financeira.

Para auxiliar na regularização das dívidas, os devedores poderiam se beneficiar de ações voltadas para renegociação, em articulação com as instituições bancárias e a rede de defesa do consumidor.

Além disso, ações de transparência e modernização de leis no setor financeiro para estímulo de práticas responsáveis na concessão de crédito também são algumas das recomendações