Sell in may and go away: porque investir no mês de maio é mais arriscado

Fique atento aos seus investimentos durante este mês

Ler a expressão da língua inglesa “sell in may and go away” pode remeter a algum trecho de música pop ou causar a impressão de se tratar de um filme ao melhor estilo Lobo de Wall Street. E se o filme estrelado por Leonardo Di Caprio carrega no título o nome do principal Distrito Financeiro da cidade de Nova Iorque, a rima em inglês que significa “venda em maio e vá embora” tem total ligação com o mundo das vendas de ações.

A sentença expressa um famoso e curioso fenômeno da economia. Ocorre que no hemisfério norte, devido a proximidade com o período de férias de verão, o volume de negociações nas bolsas de valores despenca. Para ilustrar a situação, basta analisarmos a Bolsa de Valores de São Paulo (B3). A bolsa só subiu no mês de maio em 8 oportunidades nos últimos 25 anos. A última vez foi em 2009 e desde então nove quedas foram registradas no quinto mês do ano. Destas, em cinco ocasiões maio foi o pior mês do ano. Graças ao fenômeno, os investidores e gestores de fundo do hemisfério norte optam por vender suas ações em maio a fim de evitar o período de baixa liquidez nas férias de verão (junho a agosto), uma vez que esta liquidez faz com que a volatilidade sobre os preços aumente.

No entanto, mesmo sem passar pelo período de férias de verão, é importante que o investidor brasileiro fique de olho nesse movimento, já que os investidores estrangeiros correspondem a 50% de tudo o que é negociado na B3. O primeiro pregão deste mês de maio registrou queda e tudo indica que o segundo seguirá pelo mesmo caminho.

No último dia 3, durante o primeiro pregão, o principal índice da B3, o Ibovespa, fechou em queda de 0,86%, indicando que o resultado pode repetir-se. A queda foi motivada pelo discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que descartou corte de juros nos EUA em 2019, o que mantém a rentabilidade dos títulos do tesouro norte-americano. A declaração cortou pela raiz a empolgação de mercados emergentes, que terão suas moedas desvalorizadas novamente.

Na segunda-feira (2) a Bolsa brasileira registrou recuo de 1,06% a 94.985 pontos. A queda se deu por conta de dois tuítes de Donald Trump, presidente dos EUA. Trump afirmou que aumentará as tarifas de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses. Como as expectativas de todo o mundo era de uma caminhada pacífica rumo ao fim da guerra comercial entre os países, essa notícia abalou todo o mercado.

Influência da Reforma da Previdência

Tido como maldição, a continuidade do movimento no mercado brasileiro dependerá de como ocorrerá a tramitação da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Criada para analisar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do governo Jair Bolsonaro, que diz respeito também ao assunto.

Nos últimos anos a política influenciou negativamente a Bolsa de Valores e nada impede de que o mesmo ocorra neste ano. Em maio de 2017, os donos do frigorífico da JBS denunciaram o ex-presidente Michel Temer, que abalou a B3 e o circuit breaker precisou ser acionado. Este é um mecanismo que interrompe o pregão à medida que a bolsa cai mais de 10%. Na ocasião o recuo registrado no Ibovespa foi de 4,3%. Em 2018, com a greve dos caminhoneiros, a B3 caiu em 10,9% e seguiu em queda de 5,2% no mês de junho.

Por isso, além da questão já considerada histórica do mês de maio, até a aprovação da Reforma da Previdência os investimentos ficarão bastante instáveis e deve-se ficar atento neste período.

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