Womenomics: como o Japão aumenta o PIB investindo no trabalho feminino

Ação partiu do governo para “salvar” a economia

Imagine a seguinte situação: um país com bons resultados começa a sofrer com a diminuição de sua população, consequentemente, o número de trabalhadores também diminui. Neste caso, há uma parcela da população capaz de trabalhar, mas que não tem incentivo para isso. Foi o que aconteceu com o Japão nos últimos anos, essa parcela da população que não tinha incentivo eram as mulheres. Neste caso, em 2013 o governo japonês começou a usar o womenomics, uma reforma da economia baseada no investimento das mulheres.

Várias medidas foram tomadas e a proposta feita pelo primeiro-ministro Shinzo Abe era mudar as oportunidades e a mentalidade em relação à mulher. As ações são verdadeiros sonhos para as mulheres contemporâneas.

Sabemos que a dupla jornada é um obstáculo na vida das mulheres, principalmente quando se tem filhos. Neste caso, o Japão passou a oferecer uma das maiores licenças-maternidade do mundo, as mães podem ter afastamento de um ano com até 80% do salário. O homem ganhou uma licença paternidade maior para aliviar a jornada dupla feminina. Outro benefício foi a criação de 500 mil vagas em creches, o governo ainda pretende elevar o número em mais 320 mil.

Uma discrepância mundial é que as mulheres podem até ter espaço no mercado de trabalho, mas têm números menores em cargos de chefia. No Japão, as empresas são obrigadas a divulgarem quantas mulheres possuem em cargos de chefia e o governo impôs metas entre 7% e 15% até 2021 para a promoção delas.

A fórmula deu certo, a presença de mulheres entre 25 a 44 anos no mercado de trabalho passou de 73% para 77%, segundo os dados oficiais. E o percentual de homens que pedem a licença-paternidade, que era de 2,6%, subiu para 5,1% – a meta é de 13% até 2020.

Contudo, ainda tem muito trabalho pela frente, 56% das japonesas só trabalham em meio período e ganham menos. Outro dado preocupante é que quase metade das mulheres que têm filhos não retorna ao trabalho depois da licença, se tornando donas de casa.

No Brasil…

Se no Japão as mulheres têm recebido motivação para trabalhar fora de casa, no Brasil essas ações ainda estão distantes, a questão de gênero ainda é pouco falada. Apesar das mulheres estarem mais presente no mercado de trabalho, o número de homens ainda é maior. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mulheres ganham menos do que os homens em todas as ocupações. A desigualdade salarial diminuiu entre 2012 e 2018, mas mesmo assim, as trabalhadoras ganham, em média, 20,5% menos que os homens no país.

Por outro, as mulheres têm superado os homens no âmbito educacional. Dados do IBGE também revelaram que 23,5% das mulheres com 25 anos ou mais possuem ensino superior completo, contra 20,7% dos homens. A expectativa é que essa diferença reflita nos postos de trabalho e nos salários.

A experiência japonesa traz uma esperança, ainda é um modelo que está em construção, em processo de aperfeiçoamento, mas pode servir de exemplo para outros países, as mulheres ainda têm muito para conquistar na sociedade. 

Tags: economia finanças

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